...
"Vagueio por aí
e sinto o peso de mil vozes sobre
a minha. Como olham
longamente, como alargam um gesto
solto das lendas, os vultos em fundo.
Assobios levados pelas brisas a esse limiar
onde o real se apeia nos eléctricos
que passam entre sonhos. A cabeça
encostada à janela, adormecida à margem
das encantações. Juntos, puxam
devagarinho os fios de sol, luz
que apalpou os frutos todos, um gosto
a abismo entre aquelas mãos intensas.
(...)
Aonde me levam agora
esses atalhos que aprendi contigo?
Ficaram algumas noites minhas
ainda em tua casa, leituras que deixei
a meio, mesmo a posição doce
desse corpo, esculpido quando dormias
e eu não.
Isso tudo, agora um poema atravessado
dos sinais que mais cedo nos esquecem."
